Segunda-feira, Maio 21, 2012

Tudo acontece por uma boa razão

Eis uma história inspiradora:

Era uma vez um velho que vivia numa aldeia. Este velho tinha um filho que tinha partido para o estrangeiro à procura de uma melhor vida. Os seus vizinhos supunham que o velho ficaria triste com a partida do  filho, mas ele nunca expressava sentimentos de tristeza ou solidão relativamente a essa situação. 
Um belo dia, o filho do velho voltou a casa. Os aldeãos vieram cumprimentá-lo mas ficaram surpreendidos ao constatarem a ausência de emoção perante o acontecimento supostamente feliz. O velho não estava feliz nem infeliz, mas agradeceu-lhes o interesse demonstrado.
Alguns dias depois, o velho saiu para dar um passeio com o seu cavalo, e eis que os arreios se lhe escaparam da mão e o cavalo fugiu, Ao saberem do sucedido, os aldeãos vieram a sua casa para o confortar pela perda do seu belo cavalo. O velho agradeceu, mas uma vez mais não mostrou tristeza.
No dia seguinte, verificaram com surpresa que o cavalo voltara e que trouxera com ele duas magníficas éguas pretas. Desta vez, os aldeãos ainda ficaram mais chocados com a ausência de entusiasmo do velho quando foram ao seu encontro para felicitá-lo. Ele não parecia partilhar a euforia pela boa sorte com que fora abençoado.
Uma semana depois, quando o filho do velho estava a tentar domesticar uma das éguas, caiu, partiu uma perna. Quando os aldeãos foram visitar o rapaz, não conseguiram compreender a razão porque o velho não chorava pelo que sucedera ao filho.
Mais tarde, nesse mesmo dia, o exército local veio à aldeia recrutar todos os jovens saudáveis para uma batalha. Quando chegaram à casa do velho, decidiram não levar o seu filho, porque este tinha a perna partida. Quando os aldeãos vieram felicitar o velho, ele sorriu e , de uma forma singela, disse:
-Tudo o que acontece, acontece sempre por uma boa razão.

Como eu gostaria de moderar as minha emoções e viver com esta sabedoria e serenidade mas acredito muito que esta é a verdade. 




Contando os dias

Para poder trazer o equipamento de acesso ao computador por olhar para nossa casa. 
Por agora será ainda cedido pelo hospital até a escola lhe atribuir um.
Ele já teve treino de acesso por olhar anteriormente, mas era um outro sistema. 
O varrimento este ano ainda correu muito bem, pois os meninos ainda eram lentos e o JP não se atrasava em relação a eles.
Mas eu acho que sou eu e a professora do ensino especial quem mais precisa da formação e do treino. 
As sessões estão a correr muito bem com o JP. Não vejo que ele necessite de aprender e treinar nada em especial dado que já no primeiro dia ele fez logo o que pretendia.
O que ele mais gosta de fazer é chegar lá e cuscar no computador, abrindo e fechando janelas, vendo o contéudo das pastas, acedendo à internet, etc. E tem-se divertido bastante.
Vai ser muito positivo para todos nós.

Estava longe de imaginar

Que no dia que colocava um post sobre conversas, teria de ter uma das mais sérias conversas com o JP, da sua curta vida.
A sua bisavó paterna com 93 ou 94 anos,  estava gravemente doente há algum tempo. Ela vivia perto da Serra da Estrela e estivemos a última vez com ela há cerca de 1 ano. O JP era muito afeiçoado aquela velhinha. E ela a ele. Quando ia visitá-la, só podia ser ela a dar-lhe colo e comida porque ele não queria mais ninguém.

Soubemos nessa mesma tarde que tinha falecido. Fiquei logo preocupada com a reacção do JP.
Mas sabia que não poderia esconder.
Assim que o pai chegou a casa, explicámos-lhe que o papá teria de fazer uma viagem grande naquele mesmo dia. O JP perguntou se ele ia trabalhar. Dissemos-lhe que não. Teria de ir à terra, despedir-se da avózinha que tinha ido para o céu, para perto do avô. Ela agora estava feliz perto dele, mas nós teremos muitas saudades e é a nós que custa.

O JP chorou muito sentido, muito alto, os berros dele trespassaram o nosso, já ferido,  coração...
Demos-lhe muita oportunidade de conversar. Depois do choro inicial, quis logo dizer, que também queria ir com o pai...queria ver - quero ver, quero ver, quero ver (era só o que dizia)  a bisavó.
Dissemos-lhe que não achamos que fosse altura nem lugar para uma criança. Ficaria com a mamã e o Rafael em casa e num instante o papá juntar-se-ia a nós. Aceitou com dificuldade. Mas antes do deitar já o notava um pouco mais animado. No dia seguinte não achei que devesse ir à escola. Ficámos todos juntos a brincar. Entretanto passou a lembrar-se muito dela. Diz que está no céu a olhar por nós. E está mesmo.


É pena

às vezes verificar que as pessoas se levam muito a sério, remoendo situações, ficando cheias de sentimentos negativos que transmitem para todos e até para os filhos.

Tento sempre que o JP não seja assim e que o Rafael também não. Nós não damos demasiada importância ao que realmente não tem.
Perdoamos e tentamos não nos encher de quaisquer sentimentos de ofensa. Quem nos aprecia, quem nos quer, realmente aparece, liga, mima e está para nós. Se não quer, também não faz mal. 
Nós nem levamos a mal. Preferimos estar com quem quer. 
Preferimos conviver com pessoas de bom e grande coração. Corações cheio de amor, de entendimento, de perdão.

Há mal entendidos que podem ser tão penosos para nós se os alimentarmos.
Alguém amigo passa por algo assim. Às vezes não conseguimos evitar os mal-entendidos, apenas a forma como reagimos a eles...

Nunca vou esquecer  quando escrevi más coisas neste blogue sobre um pequeno incidente na festa do colégio do JP que há muito apaguei.  Magoou-me porque estava vulnerável e a seguir eu magoei quem eu gostava e tanto gostava  e acarinhava o JP. Cheguei a pensar mudar de escola, no calor da situação. Depois percebi que tinha sido um tremendo mal-entendido. Na altura pedi desculpa, temendo nunca ser desculpada. Mas sei que fui. A pessoa também me pediu desculpa mas nunca tinha havido má intenção. Apenas algo normal. E hoje ainda somos grandes amigas...
E estou contente por terem tido esse grande coração. 
Foi o colégio que ajudou o JP a ir a Cuba nas 2 vezes. Sempre tiveram os braços estendidos para nós e lá deixámos muitos amigos. Porque ambas as partes esqueceram os erros e mal entendidos e seguimos em frente, construindo uma relação tão rica. O que tinha perdido se tivesse sido diferente. Como estou contente de ter sido assim. 
Espero conseguir fazer que o JP seja uma pessoa de coração limpo de rancores que não se leve demasiado a sério.

Quinta-feira, Maio 17, 2012

Conversas

Rafael com 8 meses...
Pouco depois de me saber grávida do Rafael, senti necessidade de falar e lhe explicar o mundo para onde ele vinha. Ninguém sabe se os fetos ouvem tão cedo e muito menos se percebem, mas instintivamente eu gostava de o fazer. Às vezes sozinha em casa falava-lhe dos meus sentimentos. Falava do pai, do mano, de mim...
Quando precisava de descansar, dizia "precisamos de descansar". Outras vezes, absorvida pelas rotinas do mano, até me esquecia da gravidez. E abusava um bocadinho...
Por isso, quando podia, dava-lhe a máxima atenção e mimava-o com descanso, tranquilidade e sensações boas.
O JP todas as noites se enroscava na minha barriga e conversava muito para ele. Vejo agora que se criou um elo especial entre os dois.
Quando o Rafael nasceu, e logo depois daquele choro delicioso que qualquer pai e mãe deseja ouvir, calou-se ao ouvir a minha voz. E eu falava só para o ver tranquilo.
Quando o JP fala com ele, todo o Rafael é gargalhadas.

Tem sido um bebé fantástico, como nunca esperei. Se se exalta, para o acalmar, só preciso de conversar e explicar-lhe o que se passa. Ele não entende, claro, mas de alguma forma, percebe. Percebe, sim.
Encaixou-se lindamente na nossa rotina. Tornou-a mais bonita e colorida. E ele parece adorar este mundo. 

Acho que pelo menos, ele já sabia o que ia encontrar...

As conversas com o JP são igualmente estimulantes. Aproveito por vezes as notícias para lhe chamar a atenção e reflectir e ele dá imensa atenção e desenvolve conversa. 
Por vezes até me esqueço que apesar das suas limitações comunicativas, ele transmite tudo e depressa.
Esta semana deu as notícias à professora ainda antes de eu ter tempo para o fazer. Disse-lhes que ia passar a faltar uma manhã por semana à escola, para ir fazer treino do acesso  ao computador por olhar. 
Eu ainda ia saber a opinião delas...
Mas ele não perdeu tempo.


Para o ano, prevejo um ano lectivo, como ambicionei. Em breve teremos o computador em nossa casa. Ele acede com o olhar e será muito mais rápido nas tarefas da escola e nas conversas...
Não é o modo de comunicar que sonhei, mas comunica e diz-nos coisas lindas. 



Quarta-feira, Maio 02, 2012

O Blogue

Não me lembro de outro ano tão intenso na blogoesfera como 2005/2006. Os blogues eram ainda um pouco novidade. E andava toda a gente a aderir.
Eu lia alguns babyblogues. E o JP entretanto nasceu. 
Os primeiros meses foram muito absorventes. Um ano depois, numa busca acerca de tratamentos nos estados unidos (therasuit), conheci uma amiga, pela internet, cujo filho tinha também paralisia cerebral. Foi a primeira pessoa com quem falei, na minha situação e foi fantástico perceber que falávamos a mesma linguagem. 
Ela tinha um blogue onde postava os bolos que vendia e para eu comentar precisei de aderir ao Blogger.
Foi em Março de 2006. Incrivelmente, já fez 6 anos.
Quando contei ao meu marido (já blogger há 2 anos), ele disse-me para começar a escrever sobre a minha experiência com o JP, já que me queixava que os blogues eram todos cor-de-rosa. Fiquei a pensar que ele tinha razão. Mas se havia pessoas que sabiam dar força e carinho, também havia quem me conseguisse irritar. Era frequente ver comentários sobre o meu blogue do género " fiquei com tanta pena e tão chocada que nem consigo comentar" ou "ainda bem que não foi a mim que me aconteceu isto". Não é simpático, mas como em tudo, absorvi a força positiva e mandei a negativa para detrás das costas. Cheguei a ter 300 visitas por dia e mais de 30 comentários por post. E através desses comentários conheci outros blogues do mesmo género que avidamente busquei.
Semana após semana, comecei recebi mails de mães como eu. Com muitas fiz alguma espécie de amizade. Com outras fiz amizades mesmo fortes que duram até hoje. E algumas das mães nem sequer eram "especiais". 
E percebi que de alguma maneira lhes dava alguma força ou sensação de não estarem sós. E isso dava-me motivação para escrever. 
Aos poucos iniciaram também blogues (ou retomavam-nos) e contavam também a sua experiência e percebi que não só tinham imensa força (bem mais do que eu), como também me inspiravam. Os heróis eram os seus filhos que facilmente me encantavam. 
Não estava definitivamente sozinha. Num instante, já nem sequer era das poucas bloggers diferentes. Era só mais uma. E essa foi uma das melhores sensações que tive. 
A blogoesfera ficou mais rica de experiências. De pais e mães que mostram as forças e fraquezas. Gente que nos ensina, partilha e nos mostra que o mundo real é bem mais interessante e menos fútil.

6 anos depois, sei que a maioria das pessoas que me vem ler, conhece ou conheceu o JP e quer saber como estão as coisas. Algumas poderão estar directamente implicadas nas minhas histórias e receio sempre a confusão das palavras...
Um dia percebi que quando contava todas as terapias que fazia com o JP, dava a sensação aos pais de que ele faziam pouco  com os deles (muitas vezes por falta de recursos económicos) e também acabei por me retrair. 
Ultimamente penso muito no dia em que o JP (que já pesquisa na net), venha ler estas palavras. E dou por mim a ponderar o que escrevo.
Não sei qual o futuro deste espaço. Como sempre, continuo a viver um dia de cada vez. 
Mas gosto muito de ir registando aqui alguns dos meus pensamentos. De mostrar o nosso caminho.
Não é definitivamente um caminho tranquilo. Tudo seria muito mais fácil se fosse tudo normal.
Mas não foi e ainda tenho dias em que me doí tudo cá por dentro...

Este blogue é sobre uma família, muito amor,  as suas dificuldades, alegrias, revoltas e vitórias  e sobre o nosso caminho. À nossa caminhada juntaram-se imensas pessoas que trazemos no nosso coração.

Sexta-feira, Abril 27, 2012

Dias em imagens


Os nossos dias em imagens...

Há três meses atrás tinha este formiga pequenino na minha barriga. Mas parece que ele nem tem saudades.
Adaptou-se tão bem ao nosso mundo. Acho que está a achar isto muito mais divertido. 
Passa o dia, entre o rir e o bem-diposto. 
A palavra que as pessoas mais utilizam para descrever o Rafael é "espevitado".
É de facto um menino muito desperto para a vida e muito doce. 
Continuamos com a maminha e ele já tem mais 10 cm e mais 2 kgs do que quando nasceu.

O JP  a crescer. Continua a pesar 17 kgs mas já mede 1,25 m. 
Refila, teima, insiste...pica os nossos miolos ! É activo. Já não se aguenta a ver desenhos animados há uns anos. Vai para o computador e faz coisas, liga pelo telefone para os amigos, descobre coisas incríveis. 
Os amigos da escola chamam-lhe "craque dos computadores".

O JP sempre foi teimoso, mas antes achava que se levava muito bem...mas os tempos mudam.
Os 7 anos mostram-se ainda mais complicados que os 6. São precisos muitos argumentos para o demover. E na maioria das vezes acabam por não surtir efeito. Dizem que é normal. E eu espero que sim.




Sexta-feira, Abril 20, 2012

Triste

Não dá para evitar ficar assim, quando o meu JP diz que quer andar e fazer outras coisas comuns que todos os meninos fazem...
Quando vejo toda a facilidade que o "Formiguinha" pequenito tem em fazer aquisições e verificar que o mais velhinho nunca irá fazer todas...nem metade.

Penso que o mundo é injusto. O JP é apenas uma criança que deveria ter nascido com igualdade de oportunidades...
E eu já devia ter ultrapassado esta forma de pensar. E muitos dias, de facto ultrapassei. Mas outros, dependendo da situação, não consigo deixar de ficar com o coração terrivelmente pequenino. Já fizemos tanto e ainda continuamos a fazer, que, por vezes já não tenho a mesma força anímica para experimentar tudo que é novo como fazíamos antes. Ele também já tem os seus interesses e já não dá para o manter a fazer fisioterapia e actividades aborrecidas o tempo todo.

O JP tem uma cara linda, um sorriso contagiante e uma consciência que não pára. Mas por vezes percebo que algumas pessoas não olham para ele da mesma maneira que olham para o Rafael. Mas por isso, eu lamento. Lamento que não tenham a riqueza e sabedoria de o encarar e descobrir o menino maravilhoso que ele é. Por outro lado, há pessoas que quando se envolvem com ele, criam ligações emocionais incrivelmente fortes. E a isso nos agarramos.


O que faço é tentar banir estes pensamentos negros e sentimentos dolorosos e manter a boa-disposição e humor...porque a vida é curta e temos mesmo de a aceitar como ela é, ou corremos o risco de a desperdiçar.

Gosto de ser mãe destes dois. O JP moldou-me durante 7 anos e o Rafael veio conhecer alguém muito melhor.
Resta-me preencher os outros vazios da minha vida e serei a pessoa que sempre quis ser.

Quarta-feira, Abril 18, 2012

Regressões típicas

A última quinzena foi definitivamente mais exigente. As férias da Páscoa do JP passadas em casa e o facto do Rafael passar já muitas horas desperto e ansioso por brincadeiras e atenção, exigiu de mim, muita imaginação para contornar os obstáculos do dia a dia.  Mas a prova foi superada (já que não tinha outro remédio) e entretanto o JP já retomou as aulas.
O Rafael é um bebé extremamente sorridente. E nisso sai ao mano mais velho. Mas revela-se ainda mais sociável.
As potenciais situações mais stressantes, são as que mais acalmam o Rafael. É quase garantido que se porta bem enquanto passeamos, anda de carro ou nos acompanha à fisioterapia. Dorme melhor e acorda sem grandes exigências.
Se estiver numa festa repleto de pessoas que lhe querem pegar ao colo, são sorrisos o tempo todo e fica calmo como nunca visto.
Se fica comigo em casa, começa a querer mais tempo de colo e brincadeiras e chora mais facilmente. 
E por isso, e tudo o resto, tentamos passear bastante.
Já gosta muito de brincar, mexer, interage muito, palra em resposta, grita para chamar a atenção. 
Adormece pelas 22.30 h e acorda pelas 4.30 h para mamar. Adormece novamente e volta a acordar com fome pelas 7.00 h. Não me queixo absolutamente nada das noites, pois não há choros. 

O JP, começa agora a ter as suas crises pessoais pela chegada do mano. 
Quer tomar banho na minúscula banheira do Rafael (que já tinha sido dele), quer mamar na maminha (que nunca quis), põe a chupeta do mano na boca, e ainda se quer enfiar no seu antigo baloiço (onde já nem cabe). Mas adora o mano e tem saudades dele enquanto está na escolinha. 
Tem é saudades de ser bebé...
Nada que não se esperasse mas em contrapartida tem-se portado bem nas aulas e o seu aproveitamento foi entre Satisfaz bastantes e Excelentes, o que nos deixou muito felizes. E ainda mais, quando percebemos que a vontade de aprender é grande.  Gosta de fazer contas de cabeça e pergunta-nos constantemente sobre o assunto.

Eu cá ando...uns dias a precisar desesperadamente de tempo para mim e de melhores visões de futuro, outras deliciada com a minha família, que apesar de me dar dias (demasiado) preenchidos, me deixa também com o coração cheio.


Quinta-feira, Março 29, 2012

Quase 2 meses depois


O JP continua enamorado do seu maninho a quem gosta de chamar "Rafa".

Vieram as férias da Páscoa e com elas vieram também insónias nocturnas. Acorda pelas 5 da manhã e há sempre algo que lhe tira o sono. Um dia chora porque pensa nas pessoas próximas que podem morrer, outros porque simplesmente não tem sono e quer conversa. 
Se me vangloriava porque tenho tido umas noitinhas fantásticas com o pequenino, o mais velho já tratou do assunto. Não é a primeira vez que tem uma fase destas (e por isso não posso atribuir ao nascimento do mano) e espero que depressa vá embora sob pena de perder de vez a minha sanidade mental :P
Ficar com os dois, sozinha,  não é nada fácil. Mas eu não sou de me deixar vencer. Não só fico, como saio com os dois. Uns dias vamos lanchar, outros à fisioterapia. 
Se ficamos em casa, passamos o dia em "mama-dentro-mama-fora" e não se passa mais nada. Assim, é divertido.


Ontem o JP teve consulta de fisiatria e precisei de me separar pela primeira vez do Rafael que ficou com o meu pai por um par de horas. O JP teve imensos ciúmes. Mas como esperava, correu tudo bem, incluindo a própria consulta. O Rafael dormiu o tempo todo e quando acordou deu uns sorrisos enormes ao vô-vô e mostrou-lhe os seus olhos da cor do céu, que só pode ter herdado dele.

Para rir

Terça-feira, Março 20, 2012

Mais pensamentos...

Depois de uma primeira experiência de maternidade com um menino (exigente) como o JP, a segunda parece deliciosamente tranquila e fácil.

O JP ainda hoje continua a ser um menino cheio de convicções, ideias próprias e teimas. É sem dúvida uma criança incrivelmente doce e especial. Todo o desafio e dedicação destes 7 anos valeram completamente a pena. A nossa relação é e será sempre muito intensa. 
Nunca considerei ter dado demasiado mimo (ou dei, mas também soube ser rígida)  mas ele é, genuinamente, sedutor e também um bocado abusador. 

O Rafael parece ter nascido "boa-onda". Está quase sempre tudo bem com ele. E ele não tem tido uma vida pacata e tranquila. Pelo contrário. Tem tido  a agitação e a rotina que sempre tivemos.
Mesmo tão pequenino, consegue muitas vezes esperar pelo que é difícil. 
Mas os seus sorrisos gigantes mostram-me que não tenho nada que me preocupar.
Mas como todos, também é espertalhão e já sabe reclamar cada vez mais privilégios  :) 

Sou mamã de dois rapazinhos que são a minha paixão.

Segunda-feira, Março 12, 2012

Manos

Na esquerda- JP com 3 meses                        Direita: Rafael com 1 mês
O Rafael já não é um recém-nascido. Está a crescer a olhos vistos.
Acho-o muito parecido com o JP em bebé. Apenas a tonalidade das cores mudam.

Na foto da esquerda está o JP com 3 mesinhos com uma expressão muito parecida com a do Rafael actual. 
Ar vivaço e brincalhão. 

Temos muitas diferenças na personalidade. Enquanto o Rafael é mais visual, o JP sempre reagiu melhor aos estímulos auditivos. O sorriso fácil é o mesmo. O do JP veio dentro dos parâmetros considerados normais, mas pelas 6/7 semanas enquanto que o Rafael com 3/4 semanas já sorria intencionalmente, principalmente para a mamã. 
O Rafael é mais calmo, pede menos colo (mas também gosta). 
O JP sempre pediu muito contacto físico e atenção. 
Temos estado muito atentos ao mais velhote e queremos que sinta que tudo continua como antes. Até agora parece ter resultado. Ele anda feliz.
Continuamos nas nossas actividades habituais. O Rafael agora acompanha-nos e não atrapalha nada (mas por vezes precisamos de uma pequena ajuda extra, claro). Temos conseguido gerir a rotina familiar e sabe maravilhosamente. 
A professora contou-me que o JP está muito mais participativo em sala de aula. Mostra-se mais interessado e tem tido sempre verdes, o que significa que se está a portar muito adequadamente.

A nível físico, tem feito alguns progressos na fisioterapia e evoluiu a olhos vistos no equilíbrio.
Este fim de semana supervisionei os trabalhos da escola que trouxe para fazer em casa e a determinada altura fiquei estupefacta com o desembaraço e a velocidade que ele escreve, introduz fotos, recorta e redimensiona num documento do Word. Arriscaria a dizer que fez bastante mais depressa, usando o GRID e o varrimento,  do que eu faria por vias normais.

Estou francamente contente com o modo como as coisas estão a correr na escola. 
Não estar ligado à unidade multi-deficiência foi um passo gigantescamente positivo para ele e para nós. Até agora foi a todas as visitas de estudo. Tem acompanhado sempre a turma. Cresceu muito. Está integrado.
Continua a ligar-se com muita força a quem o trata bem. Adora a sua auxiliar e em casa fala constantemente dela. É como mais um membro da família.

Finalmente estão a nascer os dentes definitivos. Mas o rapaz está mesmo decidido a dar-me trabalho e vou ter de ir ao dentista arrancar os de leite, que deviam ter caído e não caíram. Copiou o pai.

Fala muito com o mano. 
Desde que soube da existência do Rafael, acho que conheceu um sentimento novo. Ele irradia.

Quanto ao meu "formiguinha pequenino", não sei se foi por eu me ter tornado expert em linguagem não verbal, mas já o vejo reagir a pelo menos a 2 frases: "quer mamar?" e "vamos tomar banho". 
Às duas, pára, arregala os olhos e esboça um ligeiro sorriso que me dá a resposta. 

Sexta-feira, Março 02, 2012

Um mês

Faz hoje um mês. Parecia um dia como todos os outros. 
Acordei cheia de entusiasmo. Talvez por saber que nesse dia iria certamente conhecer o Rafael.
Uma rotina igual a todas as outras manhãs. Acordar o meu "mais-velhote", pequeno almoço, banho e vestir, e entregá-lo na porta de casa para ir para a escolinha. Assim foi. 
Mas ele sabia que no fim do dia de escola, chegaria a casa e iria ficar com a madrinha até à avó chegar. E também ele estava muito entusiasmado.

Pelas 17 horas já estávamos a caminho da clínica. E às 18 h dava entrada para o internamento.
A minha médica apareceu uma hora depois e os nervos começaram a vir à flor da pele. Estava tão sensível. Tremia. Vulnerável. Iniciaram-se os procedimentos. Em poucas horas iria finalmente conhecer o meu boneco.
Entre as 22.15 h e as 22.30 h fui levada para o bloco de partos e o pai da criança decidiu à última da hora que iria assistir. Tínhamos mais ou menos combinado que não...mas perante as emoções de última da hora, trocámos de opinião.  
Às 22:52 h nasceu o meu Rafael. 
Chorei assim que ouvi o seu choro. Colocaram-no em cima de mim e ele tranquilizou-se e derreti-me porque ele estava cheio de fome a chuchar nos dedos.
Pouco depois estava no quarto, a amamentar o bebé que esperei por 9 meses e o pai perto de mim. Chocada por não me lembrar quão pequeninos eram os bebés recém-nascidos.
Foi tão tranquilo quanto poderia ser. Mas ainda não estava completa a história até contarmos ao JP. Assim ele foi o primeiro a saber, com direito a uma foto e tudo. Ouviam-se gritos de alegria do outro lado do telemóvel. E assim foi há 1 mês atrás...02/02/2012. Um dia muito feliz.
Uma recordação para a vida.

Desde aí, o Rafael tem sido um sonho de bebé. Tranquilo, colaborante...praticamente refila apenas para mamar. E aí não há quem o páre.  Às vezes gosta de adormecer apenas sozinho, outras precisa de um "embalo". 
Tenho conseguido gerir a rotina familiar lindamente em parte por ser um bebé tão calmo. Que bom seria continuar assim...
Um mês depois, os manos já interagem um com o outro, de forma muito diferente daquela que interagimos entre nós.

Adenda: Em condições normais o Rafael teria escolhido a sua data, mas a equipe médica achou por bem, (e tendo em conta que o parto do JP acabou numa cesariana) que não se ultrapassassem as 39 semanas para diminuir diversos riscos, entre eles o de rebentamento do útero por já estar fragilizado. De surpresas eu já tive uma boa dose, por isso não me importei. Estou feliz de tudo ter corrido bem.


Domingo, Fevereiro 19, 2012

Os factos de uma nova vida

 As novas rotinas

A maior surpresa é perceber que a família consegue dar um grande contributo para que tudo continue a correr sem alterações. Desde há uns meses que tem sido a madrinha a levar o JP à hipoterapia. Queremos voltar rápido a essa rotina, mas vamos aguardar ainda umas semaninhas. O JP agradece pois adora as manhãs de sábado passada com os tios.  A avó continua a ficar no fim de semana com ele e enche-o de miminhos enquanto os pais recuperam o fôlego.
O pai tem feito o turno "das manhãs difíceis"; a professora e a auxiliar na escola ajudam ao máximo e o próprio JP colaborou e ainda colabora deixando a mamã dormir pequenitas sestas. Infelizmente tem alturas que pede demasiada atenção e não é tão fácil assim.
Por último, o Rafa também tem tido o seu mérito pois é um bebé muito tranquilo.
Não há dúvida que temos muito mais trabalho. Tende a ser muito cansativo, mas as alegrias são também tantas !

Factos

Apesar de saber e de não questionar que o bebés amamentados são mais saudáveis, a verdade é que não me lembro do JP ter ficado alguma vez adoentado antes dos 11 meses (altura que teve varicela) e ele só gostava do biberon (ainda que no 1º mês fosse do meu leite) e desde os 4 meses que passou a  frequentar a piscina. O nosso Rafinha, apesar de amamentado,  já anda com umas secrecções no narizinho e ando atenta. 
Na segunda semana engordou 300 g só com maminha ! 

Amigos

Temos sido muito acarinhados por quase toda a gente. Desde presentes, a mensagens de felicitações e disponibilidade para ajudar... e sabe tão bem !
Infelizmente há sempre algumas pessoas que nos surpreendem e parecem não quererem partilhar os nossos momentos de felicidade e apenas lhes interessam os momentos tristes. Há muito que aprendi a ser muito radical. E torna-se difícil arranjar uma boa desculpa, quando temos outros amigos que até estão em situações verdadeiramente complicadas e mesmo assim, conseguiram mandar um SMS carinhoso. 

Relativizar torna-nos mais felizes

As hormonas pós-parto não me deixaram minimamente deprimida. Como é possível ?
Se eu já conheço os verdadeiros problemas ? Não. Não estou nada deprimida.
Dou graças a Deus por tudo. Continuo no mesmo caminho com o JP, disfruto da infância maravilhosa dos meus dois meninos e resta-me estender as mãos a quem trilha os mesmos ou ainda caminhos mais difíceis.
Claro que tenho e continuo a ter problemas, porque eles não desapareceram, mas estamos cá todos os dias cheios de força para os enfrentar. Ou pelo menos tentamos ter força, na maioria dos dias. E é assim que quero ensinar os meus filhos e verem o mundo.

JP

Continua eufórico pela chegada do mano. Diz muitas vezes que gosta dele. Também diz que gosta de nós (mãe e pai) mais vezes...
Adora os "gatos fedorentos". Procura-os no Youtube e ri-se genuinamente com os sktechs.  Conversa com a madrinha no Skipe; gosta de fazer cópias dos livros infantis que tem em casa. Mais empenhado na escolinha. Quis oferecer uma mala da "hello Kitty" à namorada no dia 14 e ganhou um coração vermelho que leva todas as noites para a cama. Também ganha por vezes alguns desenhos e bilhetinhos com corações de admiradoras.
Nas redondezas já quase todos o conhecem e acarinham por onde passa. Quando vai ao café, brincam com ele e cumprimentam-no com respeito e carinho.

Rafael

Do nosso russinho, ainda temos pouco a dizer, à excepção que é encantador e tranquilo. Ao terceiro dia, já nem chorava com o frio na altura de despir. Mas ainda é muito cedo para concluir. Temos mesmo de aguardar para perceber a sua personalidade. Também nos enche o coração...

O gato

Muito curioso (como todos os gatos) com o Rafael, já percebeu que é "sagrado" e mantém-se vigilante mas à distância. 

Net

Tenho andado com muito pouca hipótese de fazer visitas e ver como andam os amigos, mas quando todas as rotinas estiverem mais definidas volto para visitas e actualizações. A verdade é que a nossa vida parece-me cada vez mais banal e desinteressante aos olhos dos outros, mas para nós é muito bom sinal. Sinal de paz e sossego.

Segunda-feira, Fevereiro 13, 2012

Tranquilos

O Rafael é um bebé muito tranquilo...
Adoro ficar horas a olhar para ele. Ele é mesmo um sonho de bebé. 
Dorme bem, mama bem. Já foi à pediatra e está tudo 5 estrelas.
O mano JP ainda não teve nenhuma crise de ciúmes. 
Vem da escola sempre com imensas saudades do mano. Parece-me até mais responsável e está a aceitar muito bem esperar pela sua vez. Os pais continuam a dar muitos miminhos mas nem sempre estão tão disponíveis como antes. 
Ele, pelo contrário,  tem surpreendido. Quer partilhar o chocolate ou outras coisas que gosta com o mano. Já lhe expliquei que o mano ainda não come chocolate, mas agrada-me tanto o gesto...
Diz constantemente que gosta dele. E gosta de o abraçar e dar festinhas. É um mano babado.
E por aqui, todos a aproveitar esta fase tão preciosa e que passa tão depressa, principalmente quando se vislumbra no horizonte um regresso muito precoce ao trabalho...esperemos que se concretize.


Segunda-feira, Fevereiro 06, 2012

Apresento-vos o Rafael

Chegou ao mundo no dia 2-2-2012 pelas 22:52 h. Na noite da quinta feira passada. Ontem regressámos ao nosso lar.

O momento do seu nascimento foi um momento de grande emoção para os papás, como não podia deixar de ser com direito a muitas lágrimas de felicidade. O mano também aguardava em casa com muita expectativa e soltou um grito de alegria quando soube da novidade.
Tal  como o irmão, o Rafael já nasceu com ar vivaço e trocista. Vinha com fome e a chuchar no dedo. Mamou logo e nunca mais parou. É um relógio que bate certinho a cada 3 horas. 
As palavras do JP para o descrever foram: bonito, simpático e parecido com o pai. Anda radiante, adora-o, só quer estar a observa-lo o tempo todo.
O Rafael é um bebé tranquilo até começar a sentir fome. Nessa altura fica refilão. Mais um.
Estamos todos também apaixonados por este bebé. 3140 g e 50 cm de gente...
Agradeço a Deus pelos meus dois filhos maravilhosos.
A todos que nos acompanham e deixam palavras doces desde sempre: Obrigado pelo apoio incondicional.
Estamos felizes.

Adenda: Nunca será demais agradecer à minha GO/Obstetra, Dra Elsa Milheiras, que foi quem tornou possível uma gravidez tranquila e um parto maravilhoso, com recordações inesquecíveis, ao espectacular Dr Paulo Sá e restante equipa da CLISA. Todos se empenharam para que tudo fosse perfeito e conseguiram. Mais uma vez : OBRIGADO. Ficamos eternamente gratos.

Quarta-feira, Fevereiro 01, 2012

Mais um dia de espera...

Mais um dia, compondo o ninho...

Eu e o JP fomos tirar algumas fotos juntos, para mais tarde recordar e foi muito giro.
Portou-se muito bem. Fui eu quem "estragou" a maioria das fotos, porque fechava os olhos ou outra coisa qualquer...mas o modelito aqui, esteve sempre à vontade e bem disposto ! Sorria na hora certa, olhava para o sítio certo...

Hoje o mau-estar está a intensificar-se.
Quase já não me consigo mexer...quase não consigo comer. Calçar é um esforço descomunal...até a tomar banho me canso.
Não consigo imaginar o tamanho deste "cachopo". Sinto que está mais do que na hora.

Com a vaga de frio, está a chegar o Rafael. :)


Segunda-feira, Janeiro 30, 2012

Sábado, Janeiro 28, 2012

Por dias

Agora já se contam os dias pelos dedos de 1 mão para conhecer o nosso Rafael.

Estamos com 38 semanas e às 39 não chegará.  
Na semana passada o CTG não acusava contracções. 
Nesta terça feira faremos uma avaliação e marcaremos o dia do nascimento ainda para esta semana.
Nestes últimos dias sentimos um turbilhão incrível de sensações. Um misto de alegria com medos e ansiedades à mistura.  Mas de uma forma geral, estamos a tentar desfrutar ao máximo.
O JP, que tanto esperou (e desesperou) por receber o mano, é o mais tranquilo de todos. Depois de tanto tempo, está apenas entusiasmado e muito feliz.

Domingo, Janeiro 22, 2012

37 semanas e muitos nervos

E ainda cá andamos. 
O embutido cresce a olhos vistos. Na foto da blusa cor de rosa tinha 32 semanas. 
A da blusa cinzenta é mais recente mas a barriguita parece mais pequenina. 
Se o nosso menino não vier até às 39 semanas, terá ordem de despejo do T0 nessa altura. Tudo aparentemente controlado. Mas como ter a certeza que o bebé não quer fazer uma surpresa ? 

Nesta fase aparece de forma muito intensa a ansiedade e todos os nervos que não tive estes meses todos. Penso em tudo o que não tenho pensado.
Em cada CTG, o coração dispara...em cada consulta, conversa, pensamento...a médica Obstetra tem-me debaixo de olho constantemente. 
Sei que se esforça para que não falhe nada. Estou-lhe grata.

Mas agora resta-me esperar e rezar muito.

Quarta-feira, Janeiro 11, 2012

Estamos a 3 semanas

Ou menos de conhecer o nosso mais pequenino membro da família.
Hoje tive consulta. A partir de agora será semanal com direito a CTG em cada uma.
O aumento de peso tem sido em cima da curvinha ideal. 
10,5 kgs até agora. As análises estão fantásticas. Não estou inchada. Não tenho  dores. Até recomecei a dormir melhor.
Na semana passada o Rafael já estava com peso estimado de 2550 g. 
Mas se bem que me lembro é mesmo a partir de agora que é a sério. Levo constantemente pontapés no estômago. O rapaz não pára. Sinto vontade de vomitar a toda a hora.  Andar por aí já é uma actividade penosa...começo a contar os dias para o grande dia ! 
Hoje nas últimas combinações com a obstetra percebi que estamos por dias.
Quero que passe ainda mais depressa  :)
O JP continua muito entusiasmado. Todos os dias fala e acaricia o mano através da barriga. A cumplicidade dos manos já começou. 

Quinta-feira, Janeiro 05, 2012

24 passas !

Pela primeira e possivelmente única vez na vida, comi 24 passas pela meia-noite. 
Comi 12 por mim e mais 12 pelo pecarrucho que ainda habita aqui no T0.  
Desejei tantas, e tantas coisas boas !!! Não fui modesta.

2011 trouxe algumas surpresas e momentos mágicos. Recordo com carinho o dia em que eu e o papá grilinho comemorámos 20 anos juntos e eu lhe contei que seria papá novamente. 
Ainda hoje ele "receia" entrar naquele restaurante e haja mais novidades bombásticas do género   :)
Eu acredito que 2012 vai ainda ser muito melhor em todos os aspectos. 

Tenho andado terrivelmente emocional. Tudo me emociona e faz chorar.
Muitas vezes nem sei se choro de alegria se de tristeza.

Por estes dias descobri que o JP é ainda mais especial do que alguma vez julguei. O rapaz continua a fixar matrículas e agora (tantos meses depois) entendi que recorda matrículas que viu há meses atrás, ou que viu por apenas alguns segundos.  Não foi fácil aperceber-me e quando percebi quase fiquei chocada. Senti que é algo mais que não parece normal (a tal normalidade que ansiamos em tudo)
Memória (para isso) não lhe falta. Deixa a maioria das pessoas estupefacta.
Faz essa brincadeira a toda a hora. Ele quer mesmo memorizar, memorizar...
Passa o dia a dizer-me que matrículas viu pelo caminho. E ri-se porque já esquecemos...

Dei por mim no outro dia a tentar perceber esta necessidade. Não cheguei a nenhuma conclusão. 
Na minha pesquisa vi imensas coisas diferentes. Coisas boas, coisas más...
A minha opinião é que tem uma memória prodigiosa para o que lhe desperta interesse e quer/precisa fazer uso dela.

O JP é um miúdo com muita auto-estima. É um miúdo carinhoso.  Mas também se julga um reizinho.
Já não é o meu bebé...é o meu menino.
Em breve vai deixar de ser o único.

E acho que ele está desejoso...

Quarta-feira, Dezembro 28, 2011

Dias tranquilos e felizes

Para nós, mais um Natal que se passou bem, junto da família.
Para o JP, o Natal cheio de emoção,  aguardado impacientemente e vivido ainda com imensa magia.

As férias escolares eram ansiadas. A avaliação foi regra geral boa - teve muitos "Satisfaz bastante" , embora com anotações sobre as suas mudanças de humor e respectivas consequências no ritmo de trabalho. O que quer dizer, que o JP trabalha muito depressa quando está motivado e é um autêntico pesadelo quando não está...(não foi assim que foi escrito mas eu já sabia).
Teve "Excelente" no teste de Estudo do Meio. E teve "Não satisfaz"em 2 parâmetros (cruzinhas) relacionados com as suas limitações. Um com a representação gráfica (desenho), outro com a expressão do raciocínio. Não é de surpreender, dado que não há nenhum currículo adaptado para ele. Segue exactamente o que todos os outros seguem.
Porém na explicação do raciocínio, aqui em casa é satisfatório. 
Justifica facilmente as suas opções embora de uma forma não exaustiva, pois ainda não escreve de uma forma muito extensa. 
Mas dá explicações como por exemplo: "Hoje não quero ir ao fisioterapeuta porque a Soraia não está!"- assim mesmo com todas as letras e palavrinhas (a Soraia é a "namorada"- grande malandreco !).
De qualquer forma, estamos muito satisfeitos. As aprendizagens estão a ser feitas. Há apoio e exigência. 
A vida é exigente. É bom que se vá habituando.

Esta semana está mais feliz do que nunca. Férias com os papás e muito miminho bom.
Já usa o Skype e MSN. Desde que entrou de férias, procura por lá a namorada mas têem andado desencontrados e ficam só as mensagens escritas.
Espreita os videos do YouTube. Ando sempre de olho no que ele anda a ver e anda obcecado por partos. Eu fico chocada porque acho uma violência (pessoalmente impressiona-me muito). Tenho medo que fique traumatizado mas ele adora e insiste, "fitando-me" como pode.
Um pouco "mórbido" este filhote. Não admira dizer que quer ser médico :).
De facto, ou tenho o "Dexter" em casa ou um homem da ciência  :)

Já diz a toda a gente que o mano está quase a chegar.
Ao atingir o marco das 34 semanas estamos um pouco mais confiantes e descansados. 
Mas ainda continuamos a pedir muito a Deus que tudo continue a correr bem como até agora.
Custa-me ainda imaginar como será a nossa rotina com mais um membro da família. Às vezes receio não conseguir tomar conta do recado. Mas a vontade de conhecer o meu R. e de o ter nos meus braços é enorme e maior do que todos os outros receios.
Acho que vou acabar por conseguir e tenho a certeza que o JP também vai colaborar como sabe. Tem conseguido ajudar muito a mamã nesta gravidez e orgulha-se muito disso. E eu dele !

Sábado, Dezembro 17, 2011

Foi dia de ver o bebé R.

Queríamos tirar uma foto 3D/4D mas não houve hipótese, pois começou a meter o pé à frente da cara e outras macacadas. Voltou o médico a falar de feitio e teimosia.  E este já era outro Dr.
É a segunda vez que falam disso a propósito do R.  e eu novamente pensei : Outro ??? Já não tenho a minha dose ? Pelos vistos...não.

Está enorme- Compridinho e gorduchinho. Já pesa 2044 gr. 
Perguntou-me o médico se ando perdida por comida...e eu..."nã !"
Ui, mal sabe eu que chego acordar 2 vezes durante a noite para comer. Mas o meu aumento de peso não foi tão grande assim. Creio que ainda menos de 10 kgs...
Tudo normal e em cima das expectativas. E nesta fase o estômago está a ficar pequenino e já não consigo comer muito de cada vez...é o que vale. E felizmente apetece-me mais sopa do que doces :)
Agora só novos episódios (espero eu) depois do ano novo, onde farei análises e farei as últimas consultas.
Hoje voltei a agradecer a Deus, por estar a correr tudo bem e por me ter permitido chegar a esta fase e ainda conseguir fazer tudo com o meu JP.

Quarta-feira, Dezembro 14, 2011

Consulta de Fisiatria

Esta tarde fomos a uma consulta de rotina de avaliação da aplicação do Botox nas perninhas do JP.
Ficou marcada nova aplicação para 17 de Janeiro.

A médica decidiu também prescrever novo Rx à anca, dado que o último feito já tem mais de 6 meses embora estivesse tudo normal.
Quando lhe questionei o motivo da pressa deste novo Rx, eis que a médica me explicou com calma e detalhe a razão de estar tão vigilante. Eu já era conhecedora que todos os meninos que não atingem a marcha, podem desenvolver luxação da anca. Mas é algo que ainda não aconteceu com o JP. E eu sentia-me feliz com isso.
No entanto, explicou-me que há novas recomendações para os ortopedistas actuarem antes dos problemas se concretizarem, ou seja, assim que haja uma previsão de desvio e fazerem cirurgia em determinadas idades-chave. Uma dessas idades é 6-10 anos. 
Após me dizer isto e provavelmente depois de ver a minha expressão facial, a Dra pediu desculpa de falar neste assunto nesta fase da minha vida. Que na realidade não é necessário estar ansiosa neste momento com esse assunto.
E que depois do parto teremos imenso tempo para voltar a discutir o assunto, tirar dúvidas e marcar uma consulta de ortopedia para o JP. 

A verdade é que sei que faço o que for preciso para que o JP fique bem e esteja sempre bem. 
E ainda falta ver o que aparece no RX...e investigar toda esta situação, claro.
Mas as lágrimas não param de correr.

Sugestão de leitura

Li e adorei.

Num reino a ocidente da Europa, na Idade Média, viveu Jordi, o Príncipe Perfeito. Belo, inteligente, valente, exímio nas artes da guerra e da cavalaria, apaixona-se perdidamente por Isabel de Leão, tão formosa como não há memória de outra igual. Parece um conto de fadas com um final sem surpresa. Parece, mas não é. Luísa Beltrão descreve o terrível pesadelo que irrompe no cenário glorioso da corte da Portucalícia. Conta-nos a aventura em que se aprende a espinhosa lição de ser humano. Revisitando a obra de José Régio, O Príncipe de Orelhas de Burro, a autora oferece-nos o mistério, a magia e a descoberta da natureza humana.

Para saber um pouco mais sobre o livro aqui .

Para quem não sabe, Luísa Beltrão é também o carismático rosto do movimento Pais-em-Rede e parte das verbas arrecadadas com a venda do livro, reverterá a favor deste movimento de pais que tanto precisa de algum financiamento. Uma boa sugestão para um presente  de Natal. 



Terça-feira, Dezembro 13, 2011

Cada vez falta menos...

Assim voa o tempo e já falta tão pouco.
Estamos nas 32 semanas. O meu menino pecarrucho se nascer agora já tem óptimas hipóteses de sobrevivência. Mas queremos que desfrute ainda mais da barriguinha da mãe e venha só em 2012. 
Desta vez atingi mais cedo o ponto de desconforto. Não há grandes queixas. Nem azia, nem males maiores, mas por outro lado existe cansaço, sensação constante de peso no baixo ventre e muita falta de agilidade.
Inevitável comparar com a gravidez do JP, que trabalhei até ao último dia e só me comecei a sentir verdadeiramente desconfortável a partir das 35 ou 36 semanas. 
O JP está agora como adora. À sexta feira fica logo na casinha da avó. É acompanhado pela madrinha às sessões de hipoterapia e passa o resto da manhã a passear com ela. O objectivo é que eu descanse um pouco mais. 
Mas tem sido difícil ter um sono em condições. O pimpolho passa as noites a mexer-se, a acordar-me e a pedir-me que faça lanches nocturnos, quando durante o dia nem consigo comer muito.
Está grande, pesado e assim me sinto eu: volumosa. 
O pai diz que estou na mesma (que é só barriga) e linda. O JP diz que a barriga está a crescer (com um grande sorriso na cara).  Benditos os meus homens que me mimam tanto :)

Se eu sinto uma grande vontade de conhecer o meu R. por outro lado penso muitas vezes que vai ser um estranho mundo novo. A compatibilização de todas as rotinas, o encaixar de mais algumas, o conhecer um novo ser...e o repartir do amor por dois filhos.
Sei que acabarei por estar à altura, mas não escondo que sinto alguns receios deste novo mundo que aí vem. Não por achar que vai correr mal. Só mesmo, por ser desconhecido.

7 anos

Foram comemorações muito felizes mas tranquilas. O meu estado neste momento já nem permitia outra coisa.

No dia 1 de Dezembro, o meu menino acordou cedinho e a primeira coisa que se lembrou de dizer, foi que queria os presentes! Ficou muito contente com o que recebeu. Era o que ele mesmo tinha escolhido. 
Teve muitos telefonemas de amigos, familiares e miminhos. 
Almoçámos em família e fizemos-lhe a vontade de voltar ao estádio da Luz. Bendito feriado que permitiu estarmos todos juntos. Mas no ano que vem, o JP faz anos a um sábado e depois a um Domingo e só vai reparar na falta do feriado quando fizer 10 aninhos. Até lá, digere esta desilusão, com certeza. 
À hora que chegámos ao estádio, já as visitas tinham acabado. No entanto um funcionário viu a sua carinha desiludida e deixou-nos entrar e estar ali um bocadinho.

No dia seguinte, teve direito a novo bolo (praticamente igual), com uma matrícula da data do seu aniversário 01-12-JP e ficou felicíssimo de lhe cantarem os parabéns na escolinha.

Terça-feira, Novembro 29, 2011

Os desgostos do JP (que me partem o coração)

Tem sido uma gravidez sem desconfortos de maior. Mas tal como na gravidez do JP, sou atacada por insónias nocturnas que culminam em muito sono pela manhã. Esta manhã acordámos atrasados e enquanto nos despachávamos ouvíamos as notícias. E a primeira notícia que ouvimos é que dia 1 de Dezembro será um dos possíveis feriados a ser extintos em breve.
Como reacção do JP tive um choro sentido e violento. Partiu-me o coração vê-lo assim triste.

É que ele faz aninhos neste dia...e gosta muito que seja feriado.
Ao mesmo tempo que o consolava, e que lhe dizia que o papá e a mamã vão sempre tentar pôr férias nesse dia, pensava que é tão bom que sejam estes os seus grandes desgostos e problemas.
Gostava que fosse assim toda a vida.

Quinta-feira, Novembro 24, 2011

O mundo que desaba..

Nos últimos tempos, por diversas circunstâncias, tenho sido forçada a lembrar-me daqueles primeiros tempos, após o nascimento do JP e da suspeita da reviravolta na nossa vida.
Apesar de ser uma dor partilhada em casal, em família, senti-me tão só, como nunca me tinha sentido na minha vida. O mundo, assim, de repente, tornou-se pesado demais. Parecia-me demasiado duro e cruel. Muitas vezes pensei que não ia conseguir. O meu peito iria rebentar de dor...e só desejava que um milagre acontecesse e tudo voltasse para trás. Que fosse apenas um sonho mau.

Nunca fui a única. Há demasiada gente que passa por isto.
De cada vez que sei de alguém que está a passar por aquilo que já passei, o meu coração fica pequenino, desejando que o sofrimento passe depressa e que o arregaçar das mangas dessa família, lhe mostre que todas as situações têm 2 faces da moeda.
Não faltará muito para que as oficinas de pais dos pais em rede, forme os primeiros Pais-prestadores-de-ajuda. 

Quem me dera ter tido um.  Quem me dera, alguém me ter dito, naquelas primeiras horas,  que apesar de toda a dor e cansaço de criar um filho especial, eles também dão muitas alegrias. 
Tantas ou mais do que todos os outros. Que iria amá-lo tanto quanto se pode amar alguém. E que no fim, tudo acabaria por correr bem.

A dor não irá embora, com certeza, mas os pais vão sentir-se menos sós.

Quarta-feira, Novembro 23, 2011

Irmão-galinha

É incrível como o JP anseia envolver-se em tudo relacionado com a gravidez do mano. Ele pergunta e sabe sempre quando são as ecografias, as consultas, gosta de os ver videos das ecos do mano e filmes que explicam a evolução dos bebés. Fala tempos a fio para a barriga, dá festinhas e beijinhos. Quando vamos a algum lado quer sempre comprar alguma coisa para ele. Pergunta muitas vezes se estou bem, se o mano está bem...e também receia.
Escreve que tem medo de "perder" o irmão e preocupa-se porque é que ele ainda não está cá fora. Está loucamente ansioso pelo nascimento e custa-lhe muito esperar. Faz beicinho, já o quer para o Natal e também já lhe expliquei que é cedo demais. Se esperarmos mais um mês, vem com o tempo todo e será muito melhor para ele.
Por mais justificações que eu arranje para lhe dizer que ainda é não é a hora, a única que o convence, é quando explico que a barriga da mãe ainda vai ficar maior do que o que está.  Vai ficar - GIGANTE !
Aí, ele fica mesmo entusiasmado.

Ontem tive consulta, estava tudo bem. Análises fantásticas,  aumento de peso em cima da curva ideal (7 kgs a mais até agora) e tudo o resto. Em nada se reflecte a "avançada idade materna" e a única novidade foi o início da toma de magnésio por ter algumas contracções ligeiras.
Ele ficou feliz quando lhe contei que o mano está grande, forte e saudável.

Escreve-lhe cartas em Word, a dizer que gosta dele, decora-as e guarda no computador. 
É com tanta ternura que assisto a esta sua felicidade.  Há poucas coisas tão doces na vida.

Terça-feira, Novembro 22, 2011

Maternidade atípica

Já muitas vezes ouvi dizer que os pais são mais condescendentes com os segundos filhos do que aquilo que foram com os primogénitos. O grau de exigência diminui, etc, etc...
Pois, mais uma vez, sinto que serei uma mãe que vai contra a regra. 
Já tive de tirar "um mestrado" em disciplina" e vai ser difícil esquecer.

Na percurso da descoberta da melhor forma de educar o JP, tenho ido constantemente contra as regras. Ou melhor, começo por segui-las e depois percebo que não se aplicam ao JP.
A tranquilidade e a paciência estão muito enraizadas em mim. Sempre me imaginei uma mãe tolerante e acho que durante muito tempo fui essa mãe. Mas ao fim de algum tempo, percebi que o JP, tinha a inteligência de um menino normal, com o habitual mimo e condescendência que os meninos especiais têm. E isto consegue ser uma mistura "explosiva".

Para dar um exemplo, nunca vi um livro ou manual que não dissesse para desvalorizar os "descuidos" das necessidades fisiológicas (para evitar a humilhação e o trauma).  Pois eu sei, que só acabei com eles, quando apliquei consequências, porque muitas vezes duvidei que fossem descuidos. Pareceram-me alguns bastante propositados. E resultou. Não me senti feliz e contente, mas foi a nossa maneira. Porque mais nenhuma resultou.

E hoje mais uma vez, de manhã, dei por mim, a dar os conselhos que poucas mães devem dar na escola: "por favor, apliquem consequências quando ele se portar mal". 
Soa horrível, eu sei. Mas só quem mora no convento sabe o que lá vai dentro.

Sexta-feira, Novembro 18, 2011

Paixonetas

Desde que começaram as aulas, que o JP, pede para chegar mais cedo à fisioterapia, na 5ª feira. E só mesmo na 5ª feira...
É o único dia que encontramos a sua amiga e colega de turma S. 
Os dois gostam muito de se encontrar ali, depois das aulas. Ele ri-se porque ela faz muito espalhafato durante a fisio. Ela espalhou na escola que ele é um valente. Não grita nem chora.
Uma amizade muito carinhosa. Mas o meu JP sempre teve paixonetas por crescidas. Quase sempre as auxiliares bonitas. Não por falta de meninas que gostassem dele. 
Tem havido sempre 2 ou 3 meninas a reclamarem serem as suas namoradas e que lhe fazem festas e mimos constantes. Ele adora a atenção. Mas nunca passou disso.

Ontem disse-me entusiasticamente na frente da S. que eles eram namorados. Como que a anunciar um noivado !!! Coisa que a menina descaradamente confirmou. Parece que têm passado o intervalo sempre juntos. Ela também usa uma cadeira de rodas. E talvez esta relação justifique a vontade que ele tem todos os dias de ir para a escola.
Achei tudo tão ternurento,  que o meu coração transbordou !

No fim desta declaração, a S. pediu à mãe que a deixasse assistir um bocadinho à fisioterapia do JP.  
E depois, ainda lhe pediu que chegasse a cadeira para perto dele. Foi o tempo todo em meiguices. Beijos nas mãos, beijos na testa, beijos, beijos, e mais beijos. Coisa a que o JP correspondia com um sorriso mesmo apaixonado.
Tantos beijinhos (alguns muito, muito ousados), que eu diria que andam os dois a ver os "Morangos com açúcar". 
Fiquei feliz de ver esta cena. São os dois muito pequeninos e inocentes. Têm apenas 6 aninhos. Mas já dá para perceber, que a deficiência não precisa necessariamente de implicar uma vida sem amor. 

Ainda bem.

Terça-feira, Novembro 15, 2011

E se fosse com vocês ?

A minha vida mudou completamente desde que o JP nasceu. O nascimento de um filho traz isso mesmo: mudança.
Mas a minha mudou muito mais do que seria de supor. E nunca mais foi a mesma.
Quase 7 anos depois, começo a encarar tudo como uma "normalidade". No fundo, com as minhas batalhas, é uma vida como qualquer outra.
Mas há percursos diferentes. E não menos dolorosos.
Uma das minhas mais íntimas confidentes, manteve-se sempre ao meu lado. Apoiava as minhas iniciativas, ouvia-me quando eu precisava de falar ou vinha almoçar comigo....e animava-me como sabia.
Graças a Deus, ela apenas conhecia a dor, através de mim. As suas duas filhas eram muito saudáveis.
Há meses atrás falei aqui dela. A mãe da Joana.

De um dia para o outro, tal como um tsunami aparece do nada, assim apareceu um diagnóstico para a filha mais velha após alguns ligeiros sinais. Algo que nunca esperou. Uma doença extremamente rara e progressiva e ainda incurável. E a Joana já tinha 6 anos.
Foi muito difícil aceitar tudo isto. Mas a batalha a travar é gigantesca. Há que arranjar dinheiro para financiar estudos para a descoberta da cura desta doença ainda incurável. Porque é ainda muito possível inverter este quadro negro.

Decorre neste momento uma votação no facebook para ganhar 250.000 $ para investigação do sindrome Sanfilippo e sua cura. Muitas crianças poderão ser beneficiadas.

Deixo aqui o seu apelo:


Até 22/11/2011, está a decorrer uma votação online através do facebook, em que o projecto CHASE COMMUNITY GIVING está a doar ao mais votado $250 000, que no caso, seria aplicado em investigação clínica no Síndrome Sanfilippo, uma doença rara, genética e neurodegenerativa. Agradeço o seu voto, é mesmo simples, e faz toda a diferença!
Para votar, basta:
1.  clicar no link abaixo 
http://bit.ly/meEBoV
2. fazer o Login no Facebook (quem tem conta)

 3. clicar em LIKE - lado direito
4. VOTAR - botão verde
Agradeço que divulguem.



Penso muitas vezes...e se fosse connosco ? Deixaríamos de votar ? Conto mesmo com todos vós.

Saibam mais sobre a Joana aqui

Segunda-feira, Novembro 14, 2011

Formiguinhas

As nossas realizações próprias, são pessoais e intransmissíveis.

Na minha ordem de prioridades sempre esteve primeiro a família, saúde, o amor, dinheiro e só depois a realização profissional.

Portanto, se estou normal nos três primeiros, assim-assim no quarto....porque me importa tanto o resto?
Quando sentia mais realização profissional, tinha muito menos tempo para a família e isso também não me fazia sentir bem. Mas como gostava da sensação de ter sido responsável por tantas realizações. E de sentir o "dever cumprido"...
Agora, com muito mais tempo para a família, penso constantemente no dia que voltarei a sentir o louco stress matinal e o cansaço natural após um dia inteiro de trabalho. E até das dores de cabeça. Não tenho uma dor de cabeça há meses...
Neste momento tenho a compensação de estar disponível para acompanhar o JP nesta sua primeira fase na escola, de ter um bebé a crescer dentro de mim, num tempo mais livre de stresses, de poder fazer algo diferente com a minha vida a partir de agora.


Mas não consigo deixar de ser formiguinha. Gosto muito da sensação de o ser. E não sou totalmente feliz se não o for.

Domingo, Novembro 13, 2011

Exteriorização

Se fizer um balanço na minha vida, foi nos momentos de maior exteriorização que me senti melhor...
Por isso, nada adianta guardar os problemas para mim.  A não ser que me apeteça valoriza-los.

Fenómenos

Recordo com saudades os tempos de 2006, quando este blogue foi iniciado. 

Aqui fiz boas e grandes amizades. Amizades que ainda perduram. No tempo que ninguém andava pelo facebook, os blogues eram o nosso contacto.
Desta forma, tirei muitas dúvidas e percebi que muitas coisas da maternidade que sentia e vivenciava eram normais. Porque a maternidade é uma experiência arrebatadora e perturbadora. Nova e capaz de gerar muitas inseguranças.
Sei que este blogue é completamente diferente de um babyblogue tradicional.  
Mas a base dele sempre foi a mesma de todos os outros. Falar do meu filho que tinha 16 meses e que eu amava mais que tudo. Registar. 
À parte, fazia e faço muitas reflexões. Porque escrever ajuda a organizar o pensamento e também porque conheci nessa altura uma sociedade e uma situação não controlável, que não sabia que existia. E precisava de exteriorizar novas experiências.
E da mesma forma, se tinha alguma "discriminação", porque a situação que vivíamos "horrorizava" muitas pessoas, muita gente fantástica continuou a seguir-nos até aos dias de hoje.
Depois veio o Facebook, onde continuava a manter um relacionamento, muito mais superficial, com todas essas pessoas. 
Muitas pessoas deixaram de escrever nos seus blogues. E senti saudades. 
Mas foi no facebook que nasceu uma nova onda de ressuscitação dos velhos blogues. Estou ansiosa por saber o que se vai passar.
Por aqui, de babyblogue, evoluímos para child-blog.
Mas 2011, próspero em surpresas, transformou este espacinho novamente em babyblogue. Vem a caminho mais um grilinho. E também merece tudo registadinho e celebrado.


Quinta-feira, Novembro 10, 2011

2 meses depois do início da escola...finalmente enquadrado


Foi há 2 meses que o JP iniciou o 1º ciclo e neste momento posso dizer que finalmente ele se enquadrou. Ainda gosta muito de se dispersar mas começa por concluir o que tem em mãos para só depois conversar. 
Por isso, (por ora), raramente tem trazido bolinhas ou quadrados...
Desde bebé que seguiu este método (movimento escola moderna) e eu, não sendo especialista da educação, adoro-o e acho que desenvolve um sentido crítico para a vida. Começou-o no colégio com 9 meses.  No ano passado quando veio para o público, a educadora também seguia este movimento e a sua actual professora do 1º ciclo também. Para mim, foi uma feliz coincidência. Mas torna-o sem dúvida num menino  habituado a reflectir nos assuntos. E isso vê-se.
Neste momento sinto-o mais calmo, feliz e motivado para a escola. 

O JP continua a ter capacidade de seduzir e se apaixonar pelas pessoas. No início deste ano lectivo teve mais de meia-dúzia de auxiliares e às  2 últimas afeiçou-se. Quando chegou por fim a última, (mandada pelo centro de emprego), ele disse : "OUTRA?"  e recusou-se a ficar com ela. Mas como não teve outro remédio, lá ficou. 
Tudo isto contribui para alguma instabilidade. Esta auxiliar veio para ficar e juntamente com a professora têm formado uma boa equipa. Junta-se a elas a professora do ensino especial que também tem feito tudo para o bem estar dele.
O tempo passou e o JP começou a estabelecer os laços que ele tanto precisa. Adora a auxiliar, adora a professora e os amigos interagem muito bem com ele, muito embora não tenha tanto tempo como no Jardim de infância para desenvolver as relações. No outro dia voltou a chorar novamente, por não ir à escola.

Agora adora escrever cartas e incorporar fotografias que ele próprio tira,  nelas. Ontem escreveu ao mano num documento do Word.

"Carta para o Rafael,       - gosto muito de ti" e decorou-a com balões e figuras.

Emocionei-me !


Terça-feira, Novembro 08, 2011

Surpreendente

Há largos meses que o JP tem fixação por observar e escrever matrículas. Já o tinha escrito aqui.
Só a meio deste ano, percebi que muitas eram reais. Do pai, da mãe, do avô, etc.
Em Agosto começou a ditar-me as matrículas de todos os carros da nossa garagem (são 16 !) e neste momento está uma máquina. São os que estacionam aqui perto de casa, na escola, etc.
Pede-me diversas vezes para irmos passear, para ver ...matrículas.
Vê uma matrícula e quando vem para casa, mesmo que já tenham passado diversas horas, escreve-a. Como também fixo bem números, algumas consigo aferir (em pequeno número) que estão bem. Outras, só quando tenho ocasião de confirmar. Mas a verdade é que até hoje nunca detectei um erro. Mas o normal é eu esquecer-me...
Já ele , não.

A obcessão vai ao ponto de interromper as aulas para dizer matrículas. O que naturalmente não tem muita piada.

Uma necessidade que o JP criou,  para exercitar os neurónios ?
Um transtorno obcessivo ?
Não sei. Sei que apesar de saber o meu menino muito esperto, mais uma vez me surpreendeu...é uma capacidade de memorização - de matrículas- absolutamente incrível.
No entanto, se tem dificuldade em escrever determinada palavra com pouco significado para ele (por exemplo Rolha) não tem a mesma facilidade de a memorizar e a escrever correctamente.
Um cromo !!!
Mas é um cromo lindo. Isso é.